quarta-feira, março 13, 2013

Da Dolente

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“Aquilo que não ousei dizer, o Amor me ordenou escrever e às ordens que o Amor dá é perigoso desobedecer” [Ovídio, Heroides. Heroide IV]




Minha dor não tem métrica
Não tem rima, não tem regra
Minha dor me faz histérica
Me emudece, faz-me cega

Esta Eumênide torna-me etérica
O âmago na desesperança se alegra
Transfiguro-me colérica, torno-me cética
Assumo a loucura eriçante que me integra

Abandono lágrimas, vitupérios e dignidade
Procuro delirante o perdido discernimento
Não diferencio a bondade da maldade

Mendigando pequenos contentamentos,
Me desnudei da minha pudica integridade
Converto-me em teu mero entretenimento.